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O mercado da saúde suplementar sempre foi muito agitado e uma das competições mais agressivas, nos últimos dez anos, têm gerado inúmeras mudanças.
Tudo indica que estamos iniciando uma nova fase. Na carona da consolidação, provocada pelo enxugamento no número de operadoras de planos de saúde, há sinais de que a atividade dotada de personalidade e identidade se apresente como oportunidade de negócio.
Depois de tentativas do agente regulador em identificar operadoras com dificuldades e conseqüente oferta em ‘leilão’ – que não mostraram a eficiência esperada – o próprio mercado tomou a iniciativa de buscar alternativas de recurso para aquisições. Solução para carteiras deficientes e para o comprador, em que o objetivo é a concentração de volume e a viabilização da atividade, considerando a redução da margem de resultado.
Por outro lado, o sistemático crescimento dos custos com a assistência médica, com concomitante concentração de carteiras, tem levado as operadoras a dirigir suas estratégias no sentido da verticalização, contribuindo para o enxugamento dos prestadores de serviço.
Atividades comerciais licitas e legítimas - que longe de resultarem de planejamento estratégico - são efeito de diversas causas, como regulatórias ou mercadológicas. Também é oportuno lembrar que o número de usuários da saúde suplementar tem se mantido estável, gerando apenas a movimentação na troca de plano ou de operadora.
Infelizmente não é perceptível uma política, ou mesmo um esboço estratégico, para o movimento instalado. Admitindo ser uma atividade em que as ações não promovem resultados imediatos, o processo de enxugamento das operadoras necessariamente significa “endividamento” – com terceiros ou com o próprio capital – no qual se aposta na maior eficiência operacional em proporções que possam remunerar o investimento realizado. Mas é pouco provável, seja pela redução na margem de resultado, pelo processo de concorrência em que se concentra no preço, ou pela remuneração da venda.
Como alternativa, o setor se vê motivado para abertura de capital por meio do mercado de ações, por novos sócios ou mesmo pelo estabelecimento de parcerias (financiadores), onde esquecem de questionar se o resultado operacional será suficiente para remunerar tais investimentos.
A saúde privada estabeleceu-se a partir da atividade da prestação de serviço profissional, remunerada pelo seu empenho, e certamente não está estruturada/planejada para remunerar investidores. Tanto os prestadores de serviço como as operadoras têm seu fundamento na formação e dedicação pelo serviço profissional.
É evidente que não precisa ser ou continuar como sempre foi, mas as mudanças precisam ocorrer na estrutura, onde se contemple o prazo para manter os investimentos e como e quando será o vencimento dos prazos. E mais, na hipótese de o setor ficar endividado, se fará necessária a intervenção do Estado para não causar a descontinuidade dos serviços.
Esta simples reflexão já não seria suficiente para realizar um melhor diagnóstico e um plano de ação profissional, considerando as condições básicas de uma atividade de serviços?
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