Frequentemente sou abordado por diversos profissionais, de diferentes formações técnicas, que militam na área da saúde, sobre minha opinião a respeito da forte movimentação de empresas de medicina de grupo, que avidamente vem verticalizando seus serviços, com a incorporação de hospitais em seu portifólio de negócios.
Este é um bom questionamento. Inicialmente preciso destacar o evidente movimento de transformação que estamos presenciando no segmento de saúde. Lembro com pouco saudosismo, a época em que empresas desse segmento, não se preocupavam tanto com a operação, pois o mercado financeiro, respondia por boa parte da sua lucratividade. Com a estabilização financeira, a forma de gerenciar o negócio mudou, e a preocupação com processos e custo passou a ser evidente. Estas empresas foram revendo suas formas de atuação, procuraram ganhar economia de escala, reduziram o custo operacional e, com isto, sanearam significativamente suas operações.
Vale a pena lembrar que, aquelas que não se adequaram à nova realidade econômica, desapareceram do mercado. Resolvidos estes males internos, as empresas passaram a procurar novas alternativas de redução de custo e ganho de escala, somado a isto, muitas acabaram se capitalizando e, com dinheiro disponível perceberam que, poderiam melhorar seus resultados se também efetuassem a gestão de hospitais. Não deixa de ser um raciocínio lógico.
A questão central e problemática que agora surge, é a evidente diferença de foco que ambos os negócios tem dentro da própria empresa. Como compradora de serviços, as medicinas de grupo se preocupam com o melhor serviço pelo menor preço, e como gestoras de hospitais, se deparam com ampla gama de especialidades e tratamentos, segurança do paciente, clientes exigentes e, conseqüentemente, custos crescentes. São cenários antagônicos.
Gerenciar esta adversidade dentro da própria organização não deve ser muito fácil, sendo assim, tenho a opinião que adquirir e gerenciar hospitais não é a melhor atitude das medicinas de grupo, pois estão saindo do seu foco de atuação. Tenho a convicção que todos teriam maiores resultados, se focassem seus esforços no gerenciamento dos pacientes e médicos. Em vez de investirem milhões em hospitais, poderiam investir neste gerenciamento, a custos muito menores, com maior eficiência e menos esforço.
Lembro também que este gerenciamento pode ser otimizado, ser houver maior envolvimento do médico, e neste quesito, passamos pela seleção mais rigorosa deste profissional no ato de seu credenciamento, possibilidade de aperfeiçoamento técnico e consequentemente, melhor remuneração. A redução e manutenção dos custos passam obrigatoriamente pela atuação médica, e hoje percebo o quanto este profissional é desvalorizado na cadeia produtiva. Vou escrever um pouco mais sobre isto no próximo texto. Aguardem.