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BLOG - Marilia Ehl Barbosa

 

06/04/2009

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Da Fonte

A relação com os prestadores

É preciso muito cuidado ao elegermos responsáveis pelos conflitos entre prestadores de serviços médico-hospitalares e operadoras de planos de saúde. No meio da crise podemos ficar cegos e nos esquecermos daqueles que pagam a conta e que merecem o atendimento que foi contratado, os beneficiários.

Na área em que atuamos, há uma prática muito comum: a paralisação de atendimento da rede credenciada quando não atendida as reivindicações de reajuste ou quando da ocorrência de qualquer problema na relação contratual. Estive no Congresso Brasileiro de Gestão em Saúde Suplementar, em Fortaleza, no último dia 27 e um dos painéis tinha como tema: O modelo remuneratório atual e o conflito entre operadoras e prestadores de serviços. O que mais se ouviu na discussão foi a necessidade de dialogar e a necessidade de mudanças na relação contratual.

Concordo plenamente, acho que é urgente a modificação do foco assistencial, em que se consiga parar simplesmente de pagar diversos itens de tabelas e procedimentos que visam a tão somente tratar da doença dos pacientes, e obter o compromisso dos prestadores de serviços com os resultados dos tratamentos oferecidos, através da identificação e seleção de indicadores de qualidade.

Sei que é difícil, mas é preciso ousar com o objetivo de mensurar o resultado dos atendimentos efetuados, ou mesmo para responsabilizar o prestador pela condição de saúde dos usuários após alguns tratamentos ou internações. Você já parou para avaliar, por exemplo, que percentual de tratamentos complexos (revascularização, transplantes, quimioterapias) resulta em cura com qualidade de vida, ou mesmo quantos, infelizmente, não evitam ou resultam em morte?

Creio que temos chance de mudar essa relação e trabalhar em parceria para a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários, mas precisamos antes de qualquer providência nesse sentido, sair do discurso para a prática. Ou seja, tornar realidade o que falamos e defendemos.

Certamente as dificuldades aparecerão e dará uma vontade imensa de proceder como de costume, mas não se esqueçam da frase de Sêneca, filósofo romano, da qual gosto muito: “Não é porque certas coisas são difíceis que nós não ousamos; é porque nós não ousamos que tais coisas são difíceis”.

 

postado por Marilia Ehl Barbosa

 
 

PERFIL

Marilia Ehl Barbosa é presidente da UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde.
 
 

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