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BLOG - Marilia Ehl Barbosa

 

31/07/2008

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O problema da saúde no Brasil é falta de dinheiro?

No debate da Revista Época iniciado no dia 12 de julho último, os leitores são convocados a ler dois artigos de médicos defendendo posições contrárias e a votar naquela posição que mais acreditam.

No meu caso, fui convidada a participar por um dos autores, dr. Marcos Bosi Ferraz. Querem saber o posicionamento dele? É só dar uma olhada no site www.epoca.com.br/debate. Ainda dá tempo de deixar a sua opinião.

É lógico que é muito difícil simplesmente responder com uma única palavra, SIM ou NÃO, a esta pergunta, e certamente teremos uma vitória apertada de alguma posição (o resultado até 30/7, era 55% a 45% a favor do SIM), pois se fosse fácil a solução do problema de financiamento na área da saúde, alguém já teria resolvido a situação.

É imprescindível que a população tenha acesso a saneamento básico, serviço ainda não disponível para 40% da população brasileira, e que pode ajudar no controle das epidemias, evitando o ressurgimento de algumas doenças. Como aceitar que um País tenha um índice tão alto de mortalidade materna, como o Brasil, sabendo que 90% dos óbitos de mulheres em idade reprodutiva são evitáveis?

Como entender que o País arrecada R$ 220 bilhões em 11 anos de vida da CPMF e apenas 43% desses recursos são efetivamente aplicados na área da saúde? Não parece óbvio que o dinheiro existe e o que falta é vontade política além de uma gestão profissional, equilibrada e honesta dos recursos?

Não necessariamente estou falando do gestor hospitalar ou de qualquer unidade assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS), que pouco pode interferir nesse processo, já que o dinheiro não chega até ele. Falar para um gestor hospitalar ou de uma unidade assistencial do SUS, imersos em filas e na falta de condição de trabalho – quadro que infelizmente ainda acontece em muitos locais – que o problema é só de gestão soa injusto e desrespeitoso.

Por outro lado, desconhecer que há muito há ser feito em capacitação e correta alocação de recursos é quedar-se alienado.

Parafraseando Mário de Andrade, em Macunaíma(*), "poucos recursos e mais gestão os problemas da saúde são".

(*)"Pouca saúde, muita saúva, os males do Brasil são..."

 

postado por Marilia Ehl Barbosa

 
 

15/07/2008

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Alcoolemia Zero


A Folha de São Paulo desta segunda-feira, 14 de julho, diz que as mortes no trânsito caíram 57% em dia de blitz pós-lei seca. O resultado é alarmante, no bom sentido, mas acho que o período observado ainda é muito curto para merecer que se tirem conclusões no sentido de que o problema tem grandes chances de ser resolvido.

Com estatísticas válidas ou não, o certo é que a chamada lei seca passou a ser – por paradoxal que possa parecer – o principal papo, até nos botecos. E já alterou hábitos de muita gente.

Se confirmados os primeiros indicadores, estaremos diante do fenômeno de saúde pública mais eficaz dos últimos anos. Que outra ação de saúde teria evitado tantas mortes e tantas seqüelas?.

O que faz pensar é que o resultado não se deve exatamente a uma ação do Ministério ou de alguma Secretaria da Saúde; o crédito nesse caso vai para o Legislativo, tão execrado em nosso País (não por falta de motivo, aliás).

O fato vem provar, mais uma vez, que não é só com aparato médico que se melhora a condição de vida da população, mas com medidas que de alguma forma venham alertar, disciplinar e educar a população. Aliás, aqui cabe um alerta sobre a obesidade na população mais pobre do País. Parece paradoxal, mas o acesso ao subsídio para compra de alimentos aumentou o risco de sobrepeso entre os mais pobres. Falar nisso, parece que vem aí uma lei que quer regulamentar a publicidade de alimentos pouco sadios. Mas isso é papo para outro dia.

Particularmente, acho que há certo exagero numa lei em que são acusados e tratados da mesma maneira aqueles que simplesmente se deliciam com um bombom de licor e os que se utilizam de uma quantidade exagerada de álcool. Prefere-se passar a régua linearmente e num patamar bem baixo. Mas não há como ser contra, já que ninguém em sã consciência pode defender a combinação álcool e veículo motorizado.

Só espero que não aconteça o mesmo que aconteceu com aquela lei que instituiu o kit de primeiros socorros nos automóveis. Lembram? Está certo que aquela lei era tão inócua quanto tratar fratura com band-aid e tinha mesmo que ser revogada. Como estamos no Brasil, é bom ficarmos vigilantes.


 

postado por Marilia Ehl Barbosa

 
 

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Marilia Ehl Barbosa é presidente da UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde.
 
 

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