No debate da Revista Época iniciado no dia 12 de julho último, os leitores são convocados a ler dois artigos de médicos defendendo posições contrárias e a votar naquela posição que mais acreditam.
No meu caso, fui convidada a participar por um dos autores, dr. Marcos Bosi Ferraz. Querem saber o posicionamento dele? É só dar uma olhada no site www.epoca.com.br/debate. Ainda dá tempo de deixar a sua opinião.
É lógico que é muito difícil simplesmente responder com uma única palavra, SIM ou NÃO, a esta pergunta, e certamente teremos uma vitória apertada de alguma posição (o resultado até 30/7, era 55% a 45% a favor do SIM), pois se fosse fácil a solução do problema de financiamento na área da saúde, alguém já teria resolvido a situação.
É imprescindível que a população tenha acesso a saneamento básico, serviço ainda não disponível para 40% da população brasileira, e que pode ajudar no controle das epidemias, evitando o ressurgimento de algumas doenças. Como aceitar que um País tenha um índice tão alto de mortalidade materna, como o Brasil, sabendo que 90% dos óbitos de mulheres em idade reprodutiva são evitáveis?
Como entender que o País arrecada R$ 220 bilhões em 11 anos de vida da CPMF e apenas 43% desses recursos são efetivamente aplicados na área da saúde? Não parece óbvio que o dinheiro existe e o que falta é vontade política além de uma gestão profissional, equilibrada e honesta dos recursos?
Não necessariamente estou falando do gestor hospitalar ou de qualquer unidade assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS), que pouco pode interferir nesse processo, já que o dinheiro não chega até ele. Falar para um gestor hospitalar ou de uma unidade assistencial do SUS, imersos em filas e na falta de condição de trabalho – quadro que infelizmente ainda acontece em muitos locais – que o problema é só de gestão soa injusto e desrespeitoso.
Por outro lado, desconhecer que há muito há ser feito em capacitação e correta alocação de recursos é quedar-se alienado.
Parafraseando Mário de Andrade, em Macunaíma(*), "poucos recursos e mais gestão os problemas da saúde são".
(*)"Pouca saúde, muita saúva, os males do Brasil são..."