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Hipertensão: um problema econômico

por Thaia Duo

27/04/2009
A hipertensão arterial não é só preocupante por ser um problema de saúde pública, mas também é considerada um grande problema econômico

O Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial, comemorado ontem (26), deixou os profissionais da área preocupados com os números de pessoas que vem sofrendo com a doença. A hipertensão arterial não é só preocupante por ser um problema de saúde pública e matar 300 mil pessoas por ano no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas, também é considerada um grande problema econômico do país.

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A doença que atinge cerca de 25% dos brasileiros pode levar à doenças mais sérias como a insuficiência cardíaca, que afeta 40% dos doentes e o derrame cerebral ou AVC, que atinge 80% dos pacientes, aumentando ainda mais o gasto do governo federal, que segundo pesquisa divulgada no ano passado pelo Ministério da Saúde, gastou R$ 804 milhões com os hipertensos, em tratamentos médicos e remédios. "Se houvesse uma maior preocupação com a prevenção da doença, esse valor poderia ser investido para outros segmentos carentes da saúde brasileira. E se formos pensar esse número não nos possibilita resultados suficientes, e o motivo é a má distribuição e a falta de medicamentos", comenta o diretor do Vita Check-up Center e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Antonio Carlos Till.

Segundo o executivo, quando a pressão alta é detectada, na maioria das vezes, o paciente inicia o tratamento e logo o interrompe, por falta de condições. "A falta de comprometimento do doente com sua saúde é um dos pontos relativos ao problema econômico da hipertensão arterial. Ou seja, não adianta eu diagnosticar a doença e tentar convencer essa pessoa de se tratar. Esse deveria ser um grande esforço de todas as esferas: estadual e federal", ressalta.

A desistência no tratamento pode levar o paciente à incapacidade no trabalho e, de acordo com Till, provoca alto custo à previdência social e a sociedade. "A incapacidade de trabalhar também custa alto para a família do paciente. É um custo social muito alto. E estamos falando de um indivíduo que está inserido no mercado de trabalho e que o Estado deverá mantê-lo. Pior que isso, eu não conseguirei reinseri-lo na categoria de trabalhadores porque este paciente terá grandes sequelas", enfatiza.

O Ministério da Saúde alerta que, se houvesse o controle do problema, a economia reduziria seus gastos em R$ 2,1 milhões de perdas financeiras geradas pela incapacidade de trabalho desses pacientes em estado grave. Maneira mais simples de controlá-la é mudar o hábito de vida, tornando-o saudável. 

"Muitas pessoas não se dão conta da gravidade da doença e, por isso, reduzem ou param de usar a medicação prescrita quando a pressão arterial diminui. Além da necessidade de diagnóstico precoce, que pode ser feito através de exames preventivos anuais e do tratamento medicamentoso, quando necessário, é prioritária também a adoção das chamadas medidas higieno-dietéticas, tais como: a perda de peso, a redução do consumo de sal, a cessação do tabagismo e a realização de atividade física aeróbica",conclui o cardiologista.


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